a psicose política grita
as eleições brasileiras estão a todo vapor e com menos de uma semana para o segundo turno, eu acho que o coração de todos está na palma da mão. o que vai acontecer?
eu sempre tive minha escolha muito às claras: sempre fui de esquerda. pra mim não existe outro caminho: ou a revolta é popular ou ela não é. sempre fui muito feminista. meus ídolos eram Raul e Engenheiros do Hawaii e Chico Buarque, em outras palavras, eram os cds que meus tios deixaram pra trás na casa dos meus avós e eu os escutei repetidamente. cresci lendo Pedro Bandeira (quem lembra dOs Karas?). aprendi na escola que a ditadura foi ruim, e o nazismo também. apesar dos pesares, a mensagem principal que peguei de harry potter foi: discriminação e totalitarismo não funcionam e temos que lutar contra isso. NÃO TEM NINGUÉM DEFENDENDO JK AQUI NÃO.
de alguma forma, todas essas coisas me levaram a ler sobre o movimento hippie, flower power, feminismo, movimento new age; nos primórdios da internet, as únicas informações que eu achava eram em sites católicos afirmando que o movimento era coisa do diabo (assim, é a melhor escolha? não acho hoje em dia, mas essa vibe mística good vibes sempre mexeu muito comigo, não posso negar). comecei a escutar Beatles. li (e ainda leio) muito. lembro do medo que senti quando foi lançado o primeiro míssil ao Iraque, em 2003; assisti à cobertura no jornal nacional ao lado dos meus avós. peguei ranço dos estados unidos. escrevia textos e textos no ensino médio sobre como o Brasil deveria se libertar da 'cultura' e 'sonhos' estadunidenses. passei na universidade pública, conversei com outras pessoas com ideologia parecida, assisti a seminários. comecei a participar de manifestações. defendi a Dilma durante o impeachment. veio o #metoo. veio o #foratemer, o quebrando tabus. depois foi o #elenão.
sim, meu currículo militante é basicamente um feminism for white girls 101. EU TÔ CIENTE.
e não entendo como surgiu todo esse movimento bolsonarista — eu acredito que a direita não é necessariamente bolsonarista; existir direita e esquerda, ou oposição ao presidente, é super saudável pro país inclusive — apesar de ter vivido todo o processo para chegarmos onde estamos hoje. pq assim, não querer votar em Lula/PT/esquerda, é compreensível! mas votar em família bolsonaro, depois de tudo que aconteceu na pandemia — quando me mudei do Brasil, minha cidade natal tinha por volta de 700 mil habitantes, a mesma quantidade de vidas perdidas por negligência política. é falta de empatia e caráter também, não tem diminuição de imposto e incentivo fiscal ou o que quer que seja seu motivo que valha mais que uma vida humana. quero nem saber, que ofenda a quem ofender. dói também o pensamento da falta de cuidado com a Amazônia e todo esse flerte com os eua.
enfim, não quero me prolongar no ruim, e sim focar no bom. ontem fui a uma manifestação a favor do Lula (e da democracia) em Londres. foi um movimento lindo, onde lágrimas me vieram aos olhos muitas vezes. gritamos pela defesa da educação, dos direitos dos trabalhadores. passamos por e demonstramos nosso apoio e luto a protestos a favor da Palestina e também da Ucrânia. tudo com muita música, alegria e irmandade.
e eu quero deixar aqui algumas fotos de ontem:

e pra terminar, esse vídeo perfeito do debate (horrível) de ontem:
caso esse texto chegue a alguém, é sempre bom deixar claro que presidiário não vota. pessoa condenada não vota. é por isso que o F* diz que o pai dele não pode votar, no fim do vídeo.